quinta-feira, 30 de abril de 2009

Assembléia dos Bispos
























“A família é o centro dos problemas
e das soluções da sociedade”, diz dom Orlando Brandes


O presidente da Comissão Episcopal para a Vida e a Família, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), e arcebispo de Londrina (PR), dom Orlando Brandes afirmou, na penúltima coletiva de imprensa da 47ª Assembleia Geral dos Bispos, que a família é uma prioridade da Igreja Católica no Brasil. Ele apresentou aos jornalistas o “Manifesto em Favor da Família”, aprovado ontem, 29, pela Assembleia.
“O Manifesto é um grito, de fato, em favor da família brasileira. Nosso objetivo como Igreja é centralizar os direitos da família, que é tão mal assistida e agredida em nosso país. Só no Congresso Nacional há 40 projetos em tramitação que vão contra aos valores familiares”, disse.
Dom Orlando lembrou ainda que a família deve ser respeitada porque, segundo ele, trata-se da instituição mais antiga da história da humanidade. “A família é um eixo de pastoral e da ação evangelizadora. Isso significa que, se queremos vocações, a família responde; se precisamos de segurança pública, a família precisa ser agregada; na escola, a família deve colaborar; na catequese, a família é sempre a primeira catequista”.
O arcebispo defende a prioridade e centralidade da família por se tratar de um eixo por onde passam todos os problemas e soluções da sociedade. “Com esse manifesto, queremos defender positivamente e animar a família porque, numa pesquisa séria, feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), constatou-se, dois anos atrás, que a família é a instituição mais valorizada pelo brasileiro”, acrescentou.
A imprensa questionou dom Orlando sobre a posição da Igreja que impede os casais de segunda união de receberem a comunhão. Para o arcebispo essa visão de que a Igreja exclui casais de segunda união está ultrapassada. “A Igreja já não diz mais que os casais de segunda união estão em ‘estado de pecado’, mas em ‘união irregular’. O fato de elas pertencerem a uma segunda união criou na Igreja um lugar particular. Elas não participam da comunhão porque estão irregulares, mas nossas pastorais, grupos e movimentos estão abertos para a vivência cristã dessas pessoas e elas podem fazer a comunhão espiritual. Elas não estão condenadas e não se trata de discriminação, mas de distinção”.
Nulidade matrimonialO bispo emérito de Blumenau (SC), dom Angélico Sândalo Bernardino, também respondeu dizendo que as primeiras uniões podem ser consideradas nulas pelos tribunais eclesiásticos, o que pode levar as pessoas a terem as segundas núpcias, ato considerado legal pela Igreja. “Quem está nas segundas núpcias tem as bênçãos de Deus, portanto, é preciso entender essas mudanças radicais que estão acontecendo na Igreja”, frisou.
O arcebispo de Londrina completou explicando as motivações que levam a Igreja a dizer o que é uma família. “A família é a união entre um homem e uma mulher, por meio do matrimônio, que tem o objetivo de gerar filhos para transmitir a vida, conhecimentos, educação. Quando a sociedade não segue esses preceitos, os casais se separam por pequenos motivos. A família é essa proteção que muitas uniões não conseguem dar. É preciso lembrar isso à sociedade porque hoje vemos acontecerem uniões entre pessoas do mesmo sexo, e a Igreja não aceita isso. O nosso papel é fazer as distinções e não discriminar”, acentuou.
Peregrinação da FamíliaO presidente da Comissão para a Vida e a Família também convidou para a Peregrinação Nacional da Família, que acontece no dia 24 de maio, em Aparecida (SP). “Os valores e desvalores são transmitidos pela mídia. A importância da família pouco aparece, é por isso que vamos fazer um evento do porte como essa Peregrinação”, disse.
Dom Orlando ainda destacou que foram os parlamentares, em Brasília, os primeiros a fazer a proposta de um evento da família. “Uma das motivações que levaram os parlamentares a propor um evento como essa Peregrinação é criar mecanismos e argumentos para aprovar projetos que favoreçam as causas familiares e nós estamos abertos a isso”.Segundo o presidente, o ato será um despertar para importância da família. “Queremos despertar o brasileiro para o valor e a centralidade da família diante de tantas crises por que passamos na atualidade”.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Assembleia dos Bispos




Celebração Ecumênica traz representantes de diversas religiões a 47ª AG
Na noite de hoje, 27, aconteceu no auditório Rainha dos Apóstolos, na cidade de Indaiatuba (SP), uma Celebração Ecumênica com representantes de diversas religiões do Brasil. A cerimônia faz parte da programação da 47ª Assembleia Geral da CNBB.
A cerimônia foi presidida pelo arcebispo de Montes Claros (MG) e presidente da Comissão Episcopal para o Ecumenismo e Diálogo Interreligioso, dom José Alberto Moura. E estiveram presentes representantes das igrejas anglicanas, luteranas, presbiterianas unidas, ortodoxas e antioquinas.
Após a apresentação dos representantes, o primaz da igreja Anglicana no Brasil, dom Maurício Andrade discursou sobre o apóstolo São Paulo e tirou alguns conceitos de seus ensinamentos como, por exemplo, conviver com a transformação. “Indo ao encontro do bem comum, temos que viver as diferentes realidades das diferentes sociedades para alcançarmos o bem comum. A maior peregrinação do ser humano é a peregrinação interior”, explica dom Maurício.
Prosseguindo a cerimônia, foi rezado um Pai Nosso, e ao final, houve um momento de confraternização entre todos os presentes, onde os participantes se abraçaram e se emocionaram.
Para a fundadora e coordenadora nacional da Pastoral da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa ligada a CNBB, Zilda Arns Neumann a cerimônia marca com satisfação o encontro entre as Igrejas. “Vejo com bons olhos o encontro das Igrejas do Brasil, caminhando juntas, de mãos dadas. Essa Cerimônia Ecumênica me tocou bastante”.
Em entrevista para a CNBB, dom Maurício Andrade explica da importância da participação na cerimônia. “Para nós da igreja Anglicana é uma alegria e uma importância muito grande em participar da 47ª Assembleia Geral da CNBB porque é mais um gesto de caminho do sonho ecumênico. E aqui nós congratulamos com todos os bispos nessa caminhada, que é desenvolvida, discutida e aprovada aqui, nesta assembleia. Nesse dia especial, o ecumenismo mostra que é retrato de integração, unidade das igrejas em estarmos juntos, caminharmos em um mesmo sentido, por isso a importância única desse evento em Itaici”, relata.
Para dom José Alberto Moura a cerimônia mostra que as Igrejas são parceiras e podem caminhar juntas em busca do bem comum. “Infelizmente podemos estar separados pelas divergências históricas, mas unidos no amor de Deus. Temos que fazer um esforço para nos compreendermos mais, sermos mais fraternos. Se caminharmos sozinhos teremos muitas dificuldades, por isso devemos sempre nos apoiar em nossos irmãos, assim Jesus nos ensinou, e assim devemos agir”, falou o arcebispo.




Assembleia dos Bispos











Dom Erwin Kräutler: “No Pará reina o consórcio do crime”


O bispo da prelazia do Xingu (PA), dom Erwin Kräutler, mais uma vez condenou a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de conceder ao principal acusado de matar a freira Dorothy Stang, Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, o direito de aguardar novo julgamento em liberdade. Dom Erwin denunciou ainda o desrespeito aos povos indígenas em defender suas terras e sua cultura.
Sobre a decisão da justiça em conceder aos povos indígenas o direito às terras da Raposa Serra do Sol, dom Erwin disse que foi uma vitória, mas que esta não representa o fim dos problemas sobre o caso que perdura em outras terras indígenas do país. “Raposa Serra do Sol foi uma vitória, depois de uma luta de 30 anos, mas dá a impressão de que está tudo resolvido, porém há mais da metade das áreas indígenas do Brasil que ainda não chegaram à conclusão, aos trâmites finais e homologação por parte do presidente da República”, disse.
Para dom Erwin, propaga-se no Brasil que há um enclave sobre as terras indígenas. Sobre esse fato ele caracterizou de “absurdo”. “As terras são da União. Nunca ninguém duvidou disto, jamais esse fator atingiu a soberania brasileira que é composta por diferentes povos culturalmente diferentes com até outras línguas, 160 no total”. Em contrapartida, o bispo do Xingu afirmou que lutar com os povos indígenas é também defender a soberania do país.
De “absurdo”, dom Erwin também chamou a decisão da justiça em conceder liberdade ao Bida. “É um absurdo. Nunca entendi e jamais entenderei como uma pessoa que foi condenada na forma da Lei, diante de evidências irrefutáveis a 30 anos de prisão está em liberdade. Eu chamo também isso de embromação porque como se pode admitir?”, questionou. “Nem com a prisão do Bida isso fica resolvido, porque não é só ele o mandante. No Pará domina um consórcio do crime e esse modelo continuará. É preciso verificar quem está por trás dessa morte, houve pessoas que preparam o assassinato dela”.
O bispo frisou ainda que conviveu com irmã Dorothy Stang e sabia que seu trabalho era em prol dos pobres. Segundo dom Erwin, teve pessoas que o imploraram para que expulsasse a freira do estado, mas ele fez o contrário. “Irmã Dorothy foi uma figura que viveu no Pará com o objetivo de ajudar as pessoas pobres e defender as florestas. O problema é que criar projetos para o desenvolvimento sustentável é contra os grileiros que se apoderam daquelas terras e a irmã só fazia valer as leis, a Constituição deste país”.
Sobre as provas apresentadas por Bida, que o levaram a ter novamente sua liberdade perante a justiça, dom Erwin disse que já teve provas evidentes de que ele mandou matar a freira. “Ele foi preso com provas evidentes. Como agora a justiça pode invalidar o que já foi provado? Eu acredito que além do judiciário, tem outros poderes que estão influenciando. Por trás dos bastidores acontecem coisas que nós não sabemos. Ele já chegou a dar várias versões do crime que cometeu”.
Segundo dom Erwin, uma das formas de combater esse consórcio é fazer valer as leis que regem o país. O bispo afirma que colocar a justiça para funcionar é o único meio legal de se chegar à paz. “O que eu busco para o estado do Pará e dos povos indígenas é que a justiça seja feita. Não estamos com espírito de vingança, mas queremos que a justiça faça seu papel e que a impunidade não prevaleça porque ela faz com que a espiral do crime se desenvolva”, diz.
Perguntado sobre qual campanha a Igreja deve fazer para conscientizar contra a impunidade, dom Erwin diz que não sabe mais qual deve ser feita, tendo em vista que já são realizadas Campanhas da Fraternidade, pela Paz, pela Segurança. O bispo ressalta que falta vontade política. “Os nossos parlamentares, com raras exceções defendem interesses particulares ou de oligarquias. Enquanto isso acontece, não vai haver justiça”.
“O que precisamos é de vontade política”, disse dom Erwin sobre as demarcações das terras indígenas. O bispo acrescenta que para que isso aconteça, as motivações são poucas porque depende do bom desempenho de uma justiça isenta. “Não é fácil a justiça fazer seu papel porque as ligações são fortes com os grandes latifundiários. Quem defende a causa indígena automaticamente é contra o latifúndio excessivo. É contra as mineradoras garimpeiras e as madeireiras que invadem terras indígenas. Isso cria um atrito. A verdade é que não se pode acender uma vela a Deus e outra ao diabo”.
Outro ponto questionado pelos jornalistas ao bispo do Xingu foi sobre o pensamento da Igreja para mudar a situação. Para dom Erwin, já não basta apelar para a Igreja, porque ela desempenha sua missão de conscientizar e sensibilizar. O bispo ressaltou que sozinha ela não é capaz de mudar a situação. O prelado citou, como uma das atuações da Igreja, o caso da CPI da pedofilia, instalada no estado. “A CPI jamais teria sido instalada se não fosse o papel denunciador da Igreja, que levantou a questão e denunciou. Depois disso, finalmente, por meio de um longo caminho de acusações e denúncias se instalou a Comissão”. O bispo completou o pensamento dizendo que a Constituição do país é uma das que mais tem leis no mundo e que é uma das mais bonitas, mas advertiu que há um abismo entre a Carta Magna e a execução da mesma.


Dom Helder Câmara




Dom Helder Câmara: luz na 47ª Assembleia da CNBB


“Dom Helder – Memória e profecia, no seu centenário: 1909 – 2009”. Este é o tema da exposição de painéis a dom Helder Câmara pelos corredores da Casa de Retiros Vila Kostka, em Itaici, município de Indaiatuba (SP) por ocasião de seu centenário de nascimento, comemorado em fevereiro passado, no Brasil e exterior.
A mostra é composta de 25 painéis que retratam diferentes etapas da vida de dom Helder. Sua participação no Concílio Vaticano II, em Roma; no Rio de Janeiro quando presidiu a assembleia de fundação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em 1952; seus encontros com os papas João XXIII e com João Paulo II e, seus encontros com os pobres de Olinda e Recife. Além das ilustrações, destacam-se também as famosas frases do Dom. “Não é preciso ter medo da utopia. Gosto muito de repetir: Quando se só sonha só, é apenas um sonho, mas quando se sonha com muitos, já é realidade. A utopia partilhada é a mola da história”.
De acordo com o coordenador-geral do Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (CESEP), padre José Oscar Beozzo, na apresentação da cartilha que contém dados sobre a exposição, os painéis que compõem a mostra foram montados pela primeira vez na França e foi cedida ao Brasil por meio da iniciativa do Instituto Dom Helder Câmara (IDHeC) de Recife; da Universidade Candido Mendes do Rio de Janeiro; do Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade (CAALL), de Petrópolis; do CESEP, da PUC-RJ e da Paulinas de São Paulo (SP).

Sessão solene Às 20h30 da noite de hoje, 27, o auditório Rainha dos Apóstolos vai realizar a solene homenagem ao centenário de nascimento de dom Helder Câmara. A mesa será composta pela presidência da CNBB e mais oito bispos e a primeira presidente do Movimento de Educação de Base (MEB), Marina Bandeira, que trabalhou com dom Helder. A homenagem contará também com uma apresentação do Coral Arquidiocesano de Campinas, sob a regência do maestro Clayton Júnior Dias, que apresentará dois cantos. O presidente da CNBB, dom Geraldo Lyrio Rocha terá um pronunciamento especial, no evento, em agradecimento e estima ao Dom.
O arcebispo emérito da Paraíba, dom José Maria Pires, amigo e testemunha de dom Helder, discorrerá sobre “Papel do homenageado na Igreja do Brasil ao longo do século XX”. O Conselho do Regional Nordeste 2 da CNBB (Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco) como parte das celebrações, exibirá um vídeo com imagens de dom Helder como profeta do Amor, da justiça e da Paz, junto com sua histórica oração Mariama.

sábado, 25 de abril de 2009

Convento da Penha em imagens






















Frei Pedro Palacios


Frei Pedro Palacios


Nasceu em Medina do Rio Seco, perto de Salamanca. Espanhol, que ingressou na Ordem dos Frades Menores, Província espanhola de São José de Castela, em que florescia a mais estreita observância. Pouco depois se mudou para Portugal, onde obteve licença do Custódio Frei Damião da Torre de, em 1558, embarcar para a Capitania do Espírito Santo, no Brasil.Na viagem, a embarcação foi tomada de forte tempestade, correndo perigo de naufragar. No desespero, lembraram-se os navegantes do religioso, companheiro de viagem, cujas santas virtudes já eram admiradas. Recomendaram-se às suas orações e um tomou-lhe o manto e, com ele, tocou as ondas, que imediatamente se aplacaram, permitindo próspera travessia. Desde então Frei Palácios só era chamado de o santo frade. Este fato é histórico, contado por todos os autores.Depois de feliz viagem, o navio chegou à Capitania do Espírito Santo, em Vila Velha. Os companheiros de viagem se espalharam pela localidade e Frei Palácios cuidou do seu destino. Dias depois, porém, lembraram-se do religioso, que havia granjeado todo o seu afeto, e sabendo também os moradores da presença do santo homem, todos tiveram desejo de saber onde estava.Procuraram-no e só depois de três dias encontraram-no numa cabana na montanha. Segundo a tradição local, o lugar do encontro foi um vão formado pela natureza em baixo de uma grande pedra, situada no sopé da montanha, junto à praia, ao lado esquerdo de quem entra pelo atual portão da "Ladeira da Penitência". Ainda hoje é conhecida por "Gruta de Frei Palácios" e, desde 1864, é assinalada por uma lápide comemorativa, que mandou colocar o Guardião Frei Teotônio de Sta. Humiliana.Não querendo, pois Frei Palácios descer da montanha, pediu aos moradores lhe construissem uma capela na parte plana da rocha. Fizeram-no e ele dedicou-a a São Francisco de Assis, colocando sobre o altar a imagem de Nossa Senhora da Penha e a imagem do Patriarca São Francisco. A morte do Servo de Deus se deu em 1570 e em 18 de fevereiro de 1609 os despojos foram exumados e transladados para a Igreja do Convento de São Francisco da cidade de Vitória.

Festa de Nossa Senhora da Penha




Imagens


Nossa Senhora da Penha, rogai por nós
Num penhasco que ostenta no seu entorno imponente fragmento da mata atlântica, está edificado o Santuário de Nossa Senhora da Penha, fundado por Frei Pedro Palácios que aqui chegou em 1558, trazendo consigo o Painel de Nossa Senhora das Alegrias.
O monumento arquitetônico, peculiar na singeleza e sobriedade, apresenta em sua trajetória histórica muitas reconstruções como a excepcional concepção arquitetônica do Convento, inscrustado na rocha do morro, abrindo as janelas de suas celas para o magnífico panorama da barra de Vitória e do oceano Atlântico.
No seu início, Frei Pedro Palácios encontrou abrigo numa gruta de pedra, atualmente denominada Gruta de Frei Pedro Palácios, que tem ao lado o oratório de construção anterior a sua chegado ao Espírito Santo, que abriga uma réplica do Painel de Nossa Senhora das Alegrias.
Em 1562, construiu uma Capela dedicada a São Francisco de Assis, no local hoje denominado largo do Convento (Campinho), e em 1568, foi edificada, no cume do penhasco, a Capela que recebeu a imagem de Nossa Senhora da Penha, vinda de Portugal em 1569.
A Capela de Nossa Senhora da Penha sofreu várias ampliações, e anexo, foi construído, em várias etapas, o Convento da Penha, juntamente com o prédio do museu que é a histórica ex-“Casa dos Romeiros”; residência de hóspedes e as ruínas das antigas senzalas, cuja pedra fundamental data de 1650.
Edificado no cume do penhasco, de 154 metros de altitude, e localização privilegiada, a 500 metros do mar e no centro da cidade de Vila Velha. Oferece aos visitantes a mais bela vista panorâmica de parte das cidades da Grande Vitória, além do esplendor do pôr-do-sol.
No interior do Convento, o espaço mais expressivo é o da Igreja com sua preciosa Capela-Mor. O interior da igreja é revestido, parcialmente com madeira em cedro, entalhada com motivos fitomorfos, executada pelo escultor português José Fernandes Pereira, nos anos de 1874 a 1879, inclusive o assoalho com trabalho de marchetaria que no ano de 1980 foi reformado.
O Altar Mor da Igreja, executado em mármore, foi remodelado em 1910. Possui cuidadosa talha de madeira dourada do escultor italiano Carlo Crepaz, adotando a caligrafia de ornamental do ecletismo pontuada por capitéis, coríntios, festões, guirlandas com elementos vegetalistas, medalhões, anjos e frontão, datando do século XIX.
No centro do retábulo, o nicho de Nossa Senhora, que abriga a Imagem da Virgem da Penha, de origem portuguesa, de 1569. A imagem é ladeada por anjos e querubins e honrada com as imagens dos maiores santos franciscanos: São Francisco de Assis e Santo Antônio de Lisboa e de Pádua.
Enobrecem as paredes da capela as primorosas obras paisagísticas do Convento da Penha, realizadas por Vitor Meireles, encomendadas por Frei João Costa, entregues em 1877, e as obras sacras de Pedrina Calixto, que assinou as mesmas nos anos de 1926 a 1927.
Este santuário testemunha, desde os primórdios do povoamento da terra capixaba, a trajetória histórica evangelizadora dos religiosos da Ordem dos Frades Menores da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil e, também, a devoção a Nossa Senhora da Penha, padroeira do Estado do Espírito Santo, que ultrapassa as barreiras do Estado, pois milhares de romeiros e devotos chegam ao Santuário para visita-lo, render graças e apresentar suas homenagens e pedidos.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Noticias



Dom Erwin Kräutler fala,


com exclusividade,


sobre o caso Dorothy Stang





Em entrevista dada a assessoria de imprensa da CNBB, o bispo prelado de Xingu (PA), dom Erwin Kräutler fala sobre a decisão da 1ª Câmara Criminal Isolada, do Tribunal de Justiça do Pará, que acatando recurso solicitado pelo promotor Édson Cardoso, anulou o julgamento de Vitalmiro Bastos de Moura, Biba, que é suspeito de mandar matar a missionária Dorothy Stang, em fevereiro de 2005.

O que o senhor achou da decisão proferida pelo Tribunal de Justiça, anulando o julgamento e pedindo a prisão imediata do principal suspeito de mandar matar a missionária?

Sinceramente, não acreditei mais que chegaríamos a esse desfecho. Nós esperávamos que o julgamento de Vitalmiro Bastos, que tanto envergonhou esse país fosse anulado imediatamente. Custou, mas aconteceu. Mesmo assim, o Bida é apenas um dos integrantes desse consórcio criminoso que reina por aqui. Há outros envolvidos nesse bárbaro crime, uns diretamente, outros indiretamente. Alguns que prepararam todo o ambiente hostil à irmã Dorothy, exigindo que ela seja expulsa da região, ainda estão em liberdade.

Como é o clima na cidade de Altamira, após o anúncio da decisão do Tribunal de Justiça?

A notícia percorreu logo a cidade toda, mas o povo continua desconfiado. Infelizmente a Justiça é muito desacreditada por essa região. O povo não esquece que nos casos de abuso sexual de menores e dos mais perversos crimes cometidos contra meninos, os implicados, inclusive julgados e condenados a penas entre 35 e 77 anos de reclusão, encontram-se em liberdade. Por isso, as notícias sobre prisão de suspeitos e acusados dos mais diversos delitos são recebidas pela população com indiferença ou ceticismo.

O senhor acredita que agora ele, Vitalmiro Bastos, possa ser condenado pela morte da missionária?

Ele já foi condenado pela morte da irmã Dorothy! Nunca entendemos como Vitalmiro Bastos de Moura pôde ter sido posto em liberdade e como foi possível um segundo julgamento chegar a anular o primeiro que se baseou em provas irrefutáveis.

A Justiça decidiu pela anulação do julgamento porque a defesa foi acusada de usar provas ilegais, incluída nos autos sem o conhecimento do juiz e da Promotoria. A prova, que teria ajudado a inocentar Bida, foi um vídeo exibido durante seu julgamento, em maio do ano passado, onde outro acusado de participar do crime, Amair Feijoli da Cunha, inocenta Bida.

Com relação ao julgamento de Rayfran das Neves, o assassino confesso, no entendimento dos desembargadores, a avaliação do júri foi prejudicada porque, na época do julgamento, a Promotoria não teria conseguido provar a qualificadora de promessa de recompensa. Para a Justiça, se isso tivesse ocorrido, a pena de Rayfran seria maior.

A Justiça deve marcar uma nova sessão de julgamento para os acusados

sexta-feira, 3 de abril de 2009